Tutankamon

Biografia de Tutankamon

Tutankamon, quando nasceu, foi batizado Tutankaton. Era filho do faraó Amenófis IV, que havia mudado o próprio nome para Akhenaton, em homenagem a Aton, o deus que o faraó pretendia fosse o principal a ser cultuado (os sacerdotes de Tebas cultuavam especialmente Amon).

Esta mudança cultural imposta por Akhenaton gerou intensos conflitos internos. Quando Akhenaton morreu, talvez assassinado, Tutankaton era uma criança ainda. Nefertiti (hoje famosa, como um modelo de beleza atemporal, por causa de um busto que a retratava) era a esposa principal de Akhenaton. Mas Tutankaton não era filho de Nefertiti, que pariu seis vezes, mas apenas meninas. Desejando ter um filho homem (quase uma obrigação, na época), Akhenaton teve relações com outras, e não se sabe com certeza quem foi a mãe de Tutankaton.

O que se sabe é que, com a morte de Akhenaton e, pouco depois, a de Nefertiti, Tutankaton virou faraó em 1336 (ou 1333) a.C. Logo ele mudaria seu nome para Tutankamon – o que significava, na prática, que o culto a Amon estava restaurado e que Aton deveria ser esquecido.

Obviamente, sendo ainda uma criança, assumindo o trono aos 10 anos, não foi exatamente Tutancâmon quem tomou tal decisão nem seria ele quem efetivamente governaria o Antigo Egito nos próximos anos, mas sim seus tutores.

Tutancâmon governou por um período muito curto, morrendo em 1327 (ou 1324) a.C., com apenas 19 anos. Assim, passaria à História como “o faraó menino”…

Como morreu Tutancâmon?

Em 2010, um estudo publicado no Journal of the American Medical Association revelou estudos feitos sobre a múmia de Tutankamon – e mais algumas outras.

A múmia de Tutankamon apresenta uma perfuração no crânio e, por isto, acreditava-se até então que ele pudesse ter sido assassinado. A perfuração, dizem os cientistas, aconteceu somente durante a mumificação, possivelmente de forma acidental.

Os exames atuais mostraram que, na verdade, Tutankamon tinha malária, pois foram encontrados vestígios do Plasmodium falciparum, agente causador da doença. Uma tomografia mostrou ainda uma lesão em seu fêmur direito, recente, ocorrida pouco antes de sua morte. A nova hipótese, portanto, é que esta lesão infeccionou, debilitando ainda mais o estado de saúde do “faraó menino” e causando sua morte.

Tutankamon tinha também doenças genéticas, como fenda palatina (herdade de Akhenaton) e a síndrome de Köhler-Freiberg (impedia o fluxo sanguíneo normal ao pés e provocou uma necrose de um osso – em sua tumba haviam 130 bengalas). Análises de DNA mostram que os pais de Tutankamon eram irmãos (algo comum no Antigo Egito, para que o poder não saísse da família real). O próprio Tutankamon se casou com uma irmã – em sua tumba foram encontrados dois fetos mumificados, prováveis filhos desta união.

Antes se postulavam outras síndromes para Tutankamon, por conta de representações que o deixam com traços curvos, afeminados, mas estas foram afastadas com os estudos mais atuais. Estas representações atípicas podem ser apenas um reflexo da arte amarniana, novo estilo imposto por seu pai.

A tumba de Tutankamon

No ano 1922 da nossa era, foi descoberta a múmia e a tumba de Tutankamon, no Vale dos Reis. Os arqueólogos e egiptólogos que exploravam a região haviam encontrado, até então, pouquíssimos resquícios do passado. Porém a tumba de Tutancâmon estava mais escondida e estava intacta. E o seu conteúdo era maravilhoso, esplendoroso, e despertou ainda mais o interesse do mundo todo sobre o Antigo Egito.

Pelo reinado muito curto, sem grandes feitos, costuma-se dizer que Tutankamon foi um faraó inexpressivo na história do Antigo Egito. Que entrou acidentalmente nesta grande história, pois o público só o conhece por causa de sua tumba. Que provavelmente a tumba dele não era a mais luxuosa e, se outras tivessem sido encontradas intactas, Tutancâmon seria apenas mais um nome numa grande lista de faraós.

De fato, é um acidente o brilho do nome de Tutankamon entre os faraós mais populares atualmente. Isto, entretanto, não nos autoriza a dizer que seu reinado foi insignificante. Akhenaton tentou fazer um giro de 180 graus em vários aspectos do Antigo Egito, como o religioso e o artístico (com a instituição de formas mais curvas nos desenhos, por exemplo). Tutankamon (ou seus tutores, que seja) desfez a guinada tentada pelo pai.

Pelo pai! Ora, não bastasse ser uma “correção” dos rumos da História (o que teria acontecido se o jovem fincasse o pé em prosseguir os passos de Akhenaton?), ainda há aí um conflito psicológico interessante, que psicanalistas poderiam analisar sob a ótica do Complexo de Édipo. Todo filho quer matar o pai (simbolicamente), já dizia Freud. Akhenaton, com suas inovações radicais, “matou” seu pai, Amenófis III, conhecido por ter propiciado um grande período de paz ao Egito. Agora Tutankamon, filho colateral (e filhos colaterais nunca eram vistos por ninguém como sucessores 100% legítimos), vê os poderosos contra seu pai e, se não resolve, ao menos aceita que ele seja “morto”, que suas ideias sejam completamente apagadas…

Via: Antigo Egito

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